terça-feira, 31 de outubro de 2023

PROGRAMA FRUSTRADO

Listamos as principais cidades ou atrações turísticas da Riviera Francesa e praticamente visitamos todas, com excessão da badalada Saint-Tropez, que, segundo o Google Maps nos informa, está a uma distância de 112km daqui.

Mesmo alugando um carro, o que não cogitamos, a mesma ferramenta prevê uma viagem de 2h11min em estrada pedagiada. Entre ida e volta seriam quase cinco (5) horas de viagem.

A outra alternativa seria utilizar o trem, cujo trecho seria percorrido em aproximadamente três (3) horas, ou seja, seis (6) horas de ida e volta.

Por fim, há outra alternativa, qual seja a via marítima, uma viagem de barco com duração de 2h30m, num total de cinco (5) horas entre ida e volta. O custo é um tanto salgado, em torno de setenta (70) euros por pessoa. 

Algumas razões nos fizeram desistir do projeto: deveríamos nos apresentar uma hora antes do embarque, o que equivalia a acordar por volta de seis (6) horas da manhã para atender às exigências sem atropelos. 

A outra causa que a mim particularmente influiu decididamente foram os comentários de outros passageiros relatando que quando o mar fica um pouco agitado, muitas pessoas passam mal, etc, etc.

Tenho pavor de situações do tipo, com receio de desencadear uma crise de labirintite, como aconteceu certa feita na Alemanha, oportunidade em que permaneci cinco (5) dias acamado no hotel.

Considerados os prós e os contras, decidimos abortar o programa, postergando-o para uma nova oportunidade, quiçá, quando visitarmos a Provence e seu interior.

Uma pena! 

sábado, 30 de setembro de 2023

NICE

Já estamos em clima de fim de festa. É tempo de iniciar os preparativos para o retorno, como arrumar malas, cuidando para que o peso não ultrapasse o limite permitido. Também é hora de revisar a documentação, evitando surpresas de última hora.

Acabamos saindo de casa mais tarde e vimos pela primeira vez policiais femininas à cavalo andando pela Avenue Jean Médecin, a principal, rua da cidade.


Nosso objetivo era realizar as últimas compras no Cours Saleya, mas também queríamos provar a Socca, que é uma especialidade típica de Nice e que pode ser apreciada a qualquer hora do dia. É feita de farinha de grão de bico, azeite, sal e água. É vendida no mercado e nos becos da Velha Nice.

(Crédito da foto: Google)
Nossa opinião: é boa mas é muito gordurosa, eis que leva muito óleo. Aqui uma receita

A feira das flores sempre é uma festa para os olhos e hoje (sábado), não foi diferente.




Diferente mesmo foi a movimentação defronte ao Hotel de Ville, que é como chamam a prefeitura. Pelo traje das pessoas, pudemos concluir que ali se realizavam cerimônias de casamento. Algo semelhante havíamos visto na cidade de Bolonha.




Aproveitamos para uma pequena caminhada pelo sempre aprazível Quai des États-Unis.

Derivamos para a Rue de France com seus inúmeros e variados restaurantes, onde havíamos estado no primeiro dia da nossa estada em Nice. Almoçamos e retornamos para casa.




Devo registrar, também, que hoje estamos de ressaca físico/muscular, em razão do esforço de ontem para visitar o Château Medieval de Roquebrune e é fundamental estarmos descansados para enfrentar a viagem de volta a partir de segunda-feira.

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

CHÂTEAU MEDIEVAL DE ROQUEBRUNE

Dias atrás tivemos um desencontro de informações e acabamos não conhecendo o Château Medieval de Roquebrune. Decidimos dedicar o dia de hoje para tal empreitada, não sabendo o que nos esperava pela frente.

O castelo fica no pico da comuna de Roquebrune-Cap-Martin nos Alpes Marítimos e o acesso só é possível através de veículos pequenos.

As informações sobre a melhor maneira de chegar ao alto são precárias, pelo que, nos servimos do Google Maps.

Fomos de Nice à Mônaco de ônibus e lá chegando, de imediato pegamos outro ônibus, cujo tamanho, sabíamos, não chegaria tão próximo do nosso destino.

Marcamos o ponto de parada segundo as informações do Google Maps e lá fomos nós. Meio caminho andado, eis que à nossa frente, no sentido contrário, um motociclista colidiu com a traseira de um automóvel pequeno e se estatelou. Pessoas tentaram socorrer o motociclista mas não o removeram do local. Aparentemente ele estava bem, mas ele sinalizava que havia machucado as costas.


O trânsito parou nos dois sentidos, sendo liberado somente após a chegada dos policiais. O incidente acarretou um atraso considerável.

Reiniciamos o percurso. O Google Maps nos informou o ponto de parada distante do castelo aproximadamente seiscentos e cinquenta (650) metros, distância que deveria ser percorrida a pé. Só não nos informou que o caminho era uma escadaria íngreme. Resgatamos nossos pecados.

O esforço físico para chegar ao topo é tanto, que os responsáveis pelo local colocam à disposição dos visitantes um desfibrilador cardíaco.


Subimos e às 11h40m chegamos na porta do castelo e nela encontramos afixado um aviso dando conta de que hoje - 29 de setembro - a visitação estaria liberada somente a partir das 12h55m. Fazer o que? Fomos almoçar.

Depois do almoço fomos conhecer a edificação, cujo ponto alto é a visão que o local oferece da Riviera.

Castelo construído no século X, era originalmente a torre de observação de uma fortaleza que unia toda a aldeia, com uma privilegiada visão de Mônaco, do mar, de Cap Martin e da vila.



O castelo medieval de Roquebrune é um dos únicos exemplos da arquitetura carolíngia na França. Há muito propriedade dos Grimaldi, os Roquebrunois votaram pela adesão à França em 1861. Mais tarde, Wiiliam Ingram, proprietário do local, cedeu-o à cidade em 1921. Desde então, o local, classificado como Monumento Histórico, está acessível ao público.









Finda a visita, pela frente tínhamos o caminho de volta.

Perguntando daqui e dali ficamos sabendo que uma linha de ônibus do tipo pequeno, liberado para o caminho estreito e cheio de curvas, passava por ali a menos de cento e cinquenta (150) metros. Ufa!

Fomos diretamente para Mônaco e decidimos retornar de trem, pois seria uma viagem bem menos demorada. Ademais, a internet não estava funcionando bem em Mônaco e não estávamos conseguindo os locais e horários de partida dos ônibus para Nice.

Por outro lado, com o trem, o tempo de deslocamento de Mônaco a Nice é muito inferior àquele dos ônibus. Mas o que temíamos aconteceu: Lotação. Ficamos em pé durante quase todo o percurso. Algo típico de terceiro mundo.

A estação de Mônaco merece um registro. Está localizada no início de um túnel. É ampla, moderna e bem equipada.


Finalmente chegamos em Nice e respiramos aliviados.

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

PAUSA

Para o dia de hoje não programamos nenhum passeio, nenhuma atividade. Nosso retorno ao Brasil está previsto para segunda-feira próxima, dia 2 de outubro.

Como sempre, será uma maratona de horas não dormidas.

Sairemos de Nice com destino a Lisboa e de lá voaremos para Guarulhos e depois para Navegantes. E para concluir o retorno, teremos mais uma (1) hora de carro até Jaraguá do Sul.

Deste modo, é preciso recuperar as energias gastas nestes quase trinta (30) dias de intensas atividades pela Rivera Francesa.

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

BATE-VOLTA À ITÁLIA

Estamos a menos de quarenta (40) quilômetros da Itália e a linha de trem oferece vários horários, facilitando a vida de que deseja passear por lá. 

A linha faz o percurso Marselha-Ventimiglia, sendo esta, a primeira cidade em solo italiano. Logo, nosso destino no vizinho país. 

Dependendo da disponibilidade de tempo, pretendíamos conhecer o Château Medieval de Roquebrune, na cidade do mesmo nome.

Chegamos ao nosso destino bem cedo e verificamos que logo sairia um trem para Sanremo. Mudamos os planos.

A cidade é mundialmente conhecida pelo seu festival de música.

A estação de trem é nova. A foto abaixo é do seu interior e para chegar às plataformas de embarque, caminha-se pouco mais de um (1) quilômetro.


Dispondo de pouco tempo, passeamos um pouco pela cidade





e nos limitamos a conhecer um pouco do porto,



o Forte Santa Tecla


e o Casino.





Almoçamos fomos em direção à estação de trem para iniciar o retorno à Nice.

No caminho, passamos pela Igreja Ortodoxa Romena, que de manhã estava fechada.


Descemos em Ventimiglia, e como o nosso trem para Nice ia demorar um pouco, fomos passear e tomar um gelatto.


Ventimiglia, para nós, foi a cidade menos atraente de todas as que visitamos até agora. Ficamos com a impressão de muito desleixo por parte das autoridades municipais.

Novamente desistimos de visitar o Château. Ele situa-se fora da cidade e dependeríamos de ônibus para o deslocamento até lá, o que poderia retardar em muito o nosso retorno para Nice.

No retorno o trem não estava tão lotado como nas vezes anteriores. Apenas a falta de ar-condicionado no seu interior trouxe algum desconforto para os passageiros, visto que o o sol se apresentava muito forte.

E assim terminou nossa excursão italiana.

terça-feira, 26 de setembro de 2023

APONTAMENTOS - PEDINTES

Dias atrás mencionei a quase ausência de pedintes pelas ruas de Nice, e de um modo geral, nas outras cidades.

Aos poucos vamos nos familiarizando com a presença de pessoas próximas do nosso endereço e assim vamos identificando o que fazem e o que deixam de fazer.

Há um pedinte que é cadeirante. Para pedir algum trocado ele utiliza o método universal de estender o braço, segurando a tradicional canequinha contendo algumas moedas, fazendo-as tilintar.

Tem olhos claros, brilhantes e inchados. O rosto é um tanto avermelhado e quando fala alguma coisa, não consigo identificar qualquer palavra e nem mesmo o idioma.

Tais características me levam a crer que se trata de alguém originário do leste europeu.

Bem próximo do nosso prédio e do ponto do tal pedinte, há uma unidade dos mercados Monoprix, onde sempre compramos os mantimentos necessários para o nosso dia-a-dia.

Ontem, ao voltar de Menton, cumprimos a rotina de compras: pão, água, frios, frutas, vinho e só não encontramos o saboroso café solúvel ao qual nos acostumamos.

Na fila do caixa havia uma senhora na nossa frente e eis que o nosso conhecido cadeirante/pedinte aproximou-se, falou qualquer coisa para aquela senhora e se colocou à frente dela. Por ser cadeirante, suponho, ele tinha direito ao atendimento prioritário, tanto que aquela senhora não reclamou de nada.

Ele falou qualquer coisa para o caixa e colocou no balcão a mercadoria que estava adquirindo: uma garrafa de 350ml de vodka, pagando com moedas que ele as retirou do seu instrumento de trabalho, significa dizer, da latinha.

Ao voltar para o apartamento passamos por ele, que por sua vez, continuava em plena atividade, aparentemente satisfeito da vida. Talvez seus olhos inchados e o vermelhão do seu rosto tivessem uma causa lógica.

PAUSA

O dia de ontem foi marcado por um imenso cansaço decorrente de dois motivos principais: viajamos em pé de no trem de Nice à Mônaco; e enfrentamos uma escadaria bastante íngreme para chegar até a basílica. O melhor para nós foi dedicar o dia ao descanso, pois amanhã teremos uma nova jornada. Mesmo assim caminhamos 3.3km.

Apenas saímos de casa para almoçar, passando antes por uma barraca do Cours Saleya para comprar algumas especiarias para os meninos.

Voltamos para casa para descansar. Amanhã iremos conhecer Ventimiglia, na Itália.

BAGUETES

A baguete é muito mais que um pão que saboreamos em todas as refeições, é uma tradição francesa!

É importante saber que o termo “tradição” na panificação deve respeitar certos critérios e a baguete não pode ter sido congelada durante seu preparo, bastando adicionar glúten, fermento desativado e quatro aditivos (farinha de trigo, farinha de malte de trigo, farinha de soja, farinha de feijão). A baguete deve ser preparada no local. Resumindo, a baguete tradicional não tem aditivos!

O fato é que desde que aqui chegamos não tivemos o prazer de degustar "aquela" baguete tenra, crocante. Com uma camada de manteiga então, faz-se uma refeição. É inafastável a harmonização com queijo e frios, no meu caso, dou preferência para salames. E claro, vem o apelo para um vinho tinto et voalà... A felicidade até existe, diria Roberto Carlos.

Nem mesmo nos diversos restaurantes que frequentamos tivemos a felicidade de degustar uma baguete com gosto e a sutileza de um verdadeiro patrimônio da cultura francesa.

De duas uma: ou os tempos estão mudando ou o meu paladar já não é mais o mesmo.

APONTAMENTOS 2 - AS VOZES NAS RUAS

De Guarulhos voamos para Lisboa onde pegamos um vôo, via conexão, para Nice.

Na sala de embarque, logo notamos a presença de muitos africanos, uns com trajes típicos, outros facilmente identificáveis como muçulmanos.

O linguajar dessas pessoas, para nós descendentes de europeus, é completamente estranho. Aos poucos fomos percebendo que no vôo, éramos minoria.

Tanto em Nice como nas diversas cidades que visitamos, a presença de imigrantes africanos, tanto árabes ou não, é muito grande, com o que, a segunda língua mais falada é a deles. Diz-se, até, que em Marselha o idioma francês já perdeu a natural hegemonia para os dialetos árabes.

Consequentemente, vimos muitas mulheres muçulmanas usando o véu que lhes é tradicional. Mas nenhuma de burka.

Também não vimos indianos, japoneses e chineses, ao contrário do que havíamos constatado na Suíça. Os japoneses apareceram por aqui apenas no dia do jogo de Rugby envolvendo a equipe do Sol Nascente.

Outra constatação foi a ausência de músicos de rua, tão presentes nas grandes cidades europeias.

Nos primeiros dias em Nice, também percebemos a quase ausência de pedintes nas ruas. Depois, uns poucos apareceram. Chegamos a conjecturar que teria sido a intervenção dos serviços sociais do município em face dos eventos internacionais que aqui foram sediados: A competição mundial Irnonman e a World Cup Rugby.

Em nenhum momento sentimos a presença e o assedio de pedintes junto aos diversos restaurantes abertos que frequentamos. Em Bolonha, na última viagem, era constrangedor ter a presença de algum deles enquanto estávamos comendo.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

MENTON

Nossa programação para o dia de hoje era um tanto arrojada, pois previa visitar Menton, Roquebrune-Cap-Martin e o Château Medieval de Roquebrune.

Para ganhar tempo, partimos de Nice utilizando o trem, que foi lotado até Mônaco.

Chegando em Menton, que é a última cidade do litoral sul da França e já faz divisa com a Itália. A mistura cultural dos dois países é visível no colorido extravagante do casario ao longo da orla. Que contraste com o azul turquesa do mar! Justamente por ser a última cidade, não é tão visitada pela maioria dos turistas.


Fomos conhecer a orla com suas extensas passarelas.





Até chegarmos às imediações do porto.


De lá avistamos a cúpula da Basílica São Miguel Arcanjo. A vista das escadas compensa a subida e lá de cima o visual sem dúvida vai ficar fotografado na sua memória.






Descemos e fomos passear um pouco pela cidade velha.



Chegando a hora do almoço paramos num restaurante a menina que primeiro nos atendeu era ucraniana e pouco falava francês. Mas veio o dono, o qual logo percebeu que éramos brasileiros e passou a falar em português conosco. Alegou que era casado com uma brasileira de Recife. Logo... A gentileza não ficou nisso. Destacou um garçom para nos atender que por sua vez era português e fazia questão de conversar conosco.

Partimos para a segunda etapa do dia que era conhecer o Château Medieval. Seguimos todas as orientações quanto aos meios de transporte para chegarmos ao nosso destino.


Fizemos uma baldeação seguindo as instruções do Google Maps e ficamos aguardando a chegada do outro ônibus. O tempo de espera foi ficado longo e outras pessoas que também esperavam condução acabaram desistindo. Creio que ocorreu algum problema no trajeto pois em ambos os sentidos só transitavam automóveis e nenhum ônibus.

Chegamos à conclusão que ficaria muito tarde para retornar à Nice, pois nem mesmo o horário dos trens nós tínhamos. Decidimos abortar a ideia e possivelmente retornar noutro dia. Voltamos para casa. Conseguimos lugar para sentar, mas a lotação foi acontecendo, principalmente a partir de Mônaco.