sexta-feira, 15 de junho de 2012

INTERNET

Turistas desavisados têm problemas sérios ao utilizar a internet no exterior a partir de celulares e/ou notebooks. O custo da transmissão de dados era (e ainda é) proibitivo. A expansão das redes Wi-Fi minimizou o problema. Em muitos locais, hotéis principalmente, o serviço é gratuito, mas dependendo da distância que se está do roteador, o sinal fica muito fraco e a internet lenta. Só que agora é possível comprar um pacote no exterior a um preço razoável. Em Paris, numa loja da Orange, comprei um micro chip para Ipad por cerca de oito euros e mais uma carga de vinte e cinco euros e fiquei com direito a navegar por um mês, sem qualquer limite. Devo salientar que o 3G de lá funciona mesmo. Andei pelo interior e nos mais remotos lugares nunca fiquei sem sinal. Apenas em dois lugares, longe de tudo, o sinal ficou fraco mas mesmo assim consegui ler emails, acompanhar o facebook e fazer postagens no blog. Ter acesso à internet, principalmente para quem viaja de carro é um conforto indispensável. As consultas a hotéis e respectivas reservas eram feitas a partir do momento em que decidíamos repousar. No caso de optarmos por Chambre d'Hôte, geralmente localizados na zona rural, montávamos a rota a partir do Maps do Ipad, ou copiando as coordenadas, a partir da identificação do local. Outra facilidade era a verificação prévia das distâncias entre um local e outro. Enfim, todas as facilidades de consulta, sem estar em casa ou no escritório ajuda muito o viajante. Apenas não consegui ligações telefônicas via skype. Parece que a Orange criou algum filtro impeditivo, o que é compreensível. Mesmo assim não cogitei adquirir um pacote para o Iphone uma vez que a comunicação com os familiares eram feitos via facebook e também por email. No caso do facebook, optei por criar um grupo familiar com acesso restrito às pessoas convidadas, de modo a não misturar mensagens de cunho particular com aquelas gerais. Funcionou muito bem. Para aqueles que não conseguem ficar longe do contato verbal, existem opções semelhantes às do Ipad.


PLANEJAMENTO

Decidido que iríamos para a Normandia e para a Bretanha, passamos a coletar informações sobre lugares a conhecer. Como ficaríamos alguns dias em Paris, duas fontes de pesquisas foram muito úteis, via internet: Conexão Paris e Viaje na Viagem. Baixei alguns aplicativos para Ipad e que foram muito úteis, como o GÎTE DE FRANCE, para hospedagem. Como guias turísticos baixei o PETIT FUTÉ das duas regiões. Ferramenta que se revelou bem interessante e útil foi o site francethisway. Para cada cidade apresenta um resumo das principais atrações e ao mesmo tempo informa lugares interessantes nos arredores, o que facilita a montagem de um roteiro de visitas. Esta é apenas uma parte do que o site oferece. Há muito mais, destacando-se a informação sobre hotéis e a possibilidade de reservas. Existem versões para outros países, como Itália, Espanha e Alemanha. Mesmo munidos de todos esses meios, nunca dispensamos uma passagem prévia pelo Ofício de Turismo de cada cidade visitada. Informações preciosas sempre são prestadas nesses escritórios, além de fornecer mapas da cidade e dicas nem sempre encontráveis em outros locais. Afora as sugestões de visitas, em alguns casos é possível a aquisição de ingressos para espetáculos e indicações de hospedagem. Detalhe que SEMPRE deve ser observado antes da partida é o tipo de tomada elétrica do país de destino. Para tanto sempre levo comigo uma ou duas tomadas do tipo universal.


TRÂNSITO

Desde o dia 14, quando recebemos o carro em Paris até a entrega em Nantes, rodamos 2.456 quilômetros. Não tivemos problemas nos deslocamentos. O GPS, depois que localizou o satélite, funcionou perfeitamente. Segundo um ditado, quem tem boca vai a Roma, pois eu emendo para dizer que quem tem GPS vai a qualquer lugar. Optamos pelas estradas de interior para melhor curtir a paisagem. Sem problemas. Não encontramos motoristas estressados, loucos por uma ultrapassagem. Invariavelmente todos respeitam os limites de velocidade, as faixas de segurança bem como as centenas de ciclistas que andam pelas estradas. Caminhões nem pensar. Nas poucas vezes que transitamos por auto-estradas encontramos alguns caminhões pequenos, mas nenhum desses monstros que utilizam quaisquer estradas brasileiras. Os que encontramos respeitavam os limites de velocidade e principalmente a faixa da direita. Raramente se viu algum caminhão empreendendo alguma ultrapassagem. Motoristas de automóveis dirigem pela direita e só usam a faixa da esquerda para ultrapassar. Realizada a manobra, retornam, como deve ser, à faixa da direita. Outro detalhe interessante é o número reduzido de sinaleiras. Na grande maioria das vezes, o trânsito é ordenado por rotatórias. No perímetro urbano das cidades, se a via estreita não permite a circulação de dois automóveis simultaneamente, são feitos os recuos e os motoristas sempre dão a preferência para quem transita à direita, ou àquele que chegou antes ao ponto de estreitamento. E todo mundo se entende. Quase sempre é sacrificada a largura da rua em favor da construção antiga.

EXCURSÃO

Nunca viajei de trem e assim não me sinto em condições de tecer qualquer comentário a respeito. Sempre viajei integrado em alguma excursão e algumas poucas vezes fui de carro. São dois conceitos de viajar completamente diferentes. Ambos apresentam vantagens e desvantagens. Na excursão o programa é previamente conhecido e assim não há qualquer preocupação com hospedagem, compra de passagens, e coisas do gênero. O maior inconveniente é a rigidez de horários, ao lado da troca constante de hotéis. Minha experiência com excursão se deu em duas situações diversas. Algumas vezes viajei com a Sato, contratando com a Queensberry. Só elogios, embora a rigidez de horários e a troca de hotéis de que falei anteriormente. A outra situação, bem mais maleável, foi viajar com a Lovetur, uma agência de turismo de Florianópolis. O grupo é fechado pelo tempo integral. A responsável pela agência acompanha o grupo, de modo que os problemas que forem surgindo durante a excursão, vão sendo resolvidos na hora. Outro destaque é ser conduzidos sempre pelo mesmo motorista. A agência é focada em excursões para a Europa, com ênfase para a Itália. Há uma certa flexibilidade nos horários e até mesmo nos programas, sempre com a possibilidade de algum plus improvisado. Particularmente sempre gostei da informalidade dos serviços prestados pela agência. Ruim mesmo é que já participei de todos os roteiros oferecidos. Daí a disposição de viajar de carro, assunto para o próximo post.


CARRO

Viajar de carro implica envolver-se com tudo, a começar pela escolha do destino e respectivos roteiros. Há a questão dos bilhetes aéreos, da hospedagem no destino, da locação do veículo e tudo o mais que envolve uma viagem desse tipo. Para aproveitar certos destinos na sua plenitude, só mesmo indo de carro. Conhecer a Normandia e a Bretanha, como nos propusemos conhecer, não havia outra alternativa. Tal modalidade de de viagem oferece algumas vantagens. Você é dono do seu tempo, fixa os horários segundo a sua única vontade. Se determinado lugar supera a espectativa, há sempre a plena possibilidade de protelar a estada. Ao contrário, se poucas horas são suficiente para visitar determinado lugar, basta a vontade de colocar o pé na estrada e seguir em frente.


O mesmo se dá com as refeições e hospedagem. Você determina quando e onde parar. Um restaurante ou um piquenique num dos muitos refúgios à beira da estrada, o que sempre é um programa nada desprezível. E barato. Em matéria de hospedagem, na Itália tive boas experiências com os Agriturismo e na França com os Chambre d'hôte. Além dos preços convidativos, é muito legal poder conversar com pessoas comuns e ver como elas vivem. As melhores dicas de passeios são dadas por essas pessoas, sempre zelosas com seus clientes. Dependendo da cidade que servirá de base para os passeios, a diária do hotel pode sair mais cara do que se pensa. Normalmente em cidades históricas os hotéis não dispõem de estacionamento e ainda cobram o café da manhã. Em alguns hotéis a internet não é gratuita. Isto pode significar um acréscimo considerável no custo da diária. Outra coisa que a excursão não oferece é andar pelo interior. Sempre que posso evito as auto-estradas, a não ser que estrategicamente seja necessário pecorrer grandes distâncias em pouco tempo. Viajando por estradas rápidas o visual não tem beleza alguma e se repete ao longo dos quilômetros. Há que se considerar que muitas dessas estradas são pedagiadas, o que encarece o custo da viagem.


Por seu turno, viajando por estradas secundárias, sempre existe a possibilidade de encontrar pequenas povoações típicas, onde sempre se come bem. Há a questão do estacionamento, principalmente nas cidades históricas, mas é um problema comum a todos os viajantes/motoristas, de sorte que todos navegam no mesmo barco.

IGREJAS

Ao longo da viagem visitamos inúmeras catedrais e igrejas. Há verdadeiras obras de arte, revelando o poderio econômico de quem patrocinou a construção. A época em que foram construídas pode proporcionar outras revelações. O estilo arquitetônico também pode se revelar uma excelente fonte de pesquisa. Particularmente gosto de esculturas e muitas catedrais são pródigas nesse ítem. Também me interessam as construções por elas mesmas. Meu pai era pedreiro e durante a minha infância o acompanhei muitas vezes até o local das obras onde ele empregou o seu conhecimento. A facilidade, ou melhor, a destreza que ele tinha para movimentar aquelas pedras enormes, edificando altas paredes, sempre me fascinou. Especialmente o conhecimento empírico de equilibrar as pedras no alto das portas, sem argamassa ou apoio transversal, para mim era um verdadeiro mistério. Agora, com a compreensão de como tudo isso é possível, ao visitar as catedrais sempre fico imaginando as dificuldades enfrentadas pelos construtores, principalmente no que diz respeito à necessidade de andaimes para alçar as pedras às alturas. Os telhados também me fascinam. Mas tem um outro motivo para tantas e reiteradas visitas a igrejas e catedrais: o bem estar físico. Isto mesmo, o bem estar físico. Geralmente viajamos na primavera ou no verão. Para conhecer os lugares é preciso caminhar, e muito. Quando estou cansado e o dia está quente, entrar numa igreja é muito bom. Geralmente as catedrais são bem fresquinhas e sempre há lugares disponíveis para sentar. Descansar no interior de uma igreja, com silêncio quase total, é reconfortante. É a união do útil ao agradável.