quinta-feira, 30 de agosto de 2018

7º DIA - VERONA

30/08/2018 - Havíamos programado uma ida à Verona, onde já estivemos várias vezes ao longo dos anos. Nada a ver com a Casa de Julieta. Nosso objetivo é a Arena di Verona, local de grandes espetáculos e especialmente no verão quando ano após ano realiza-se o Arena Opera Festival. 


A Arena de Verona é um anfiteatro romano, localizado em Verona, Itália, conhecido pelas monumentais produções de ópera que nela são apresentadas. É uma das estruturas do seu tipo que se encontram melhor conservadas. Ainda no Brasil adquirimos os ingressos para o espetáculo de amanhã: Carmen de Bizet. 

O calor voltou com força total e as previsões indicam chuva para amanhã, circunstância que sendo confirmada, cancelará o espetáculo. E como a temporada termina justamente amanhã, não há hipótese de a data ser remarcada. Oremos...

Com as passagens compradas com antecedência nos dirigimos à Bolonha Centrale para uma viagem de trem até Verona. Identificado o local de embarque fui comprar uma garrafa d'água e tive a oportunidade de testemunhar um fato inusitado: Na minha frente um rapaz fez o seu pedido e pagou. Ao receber o troco uma cédula de cinco euros caiu sobre uns croissants que estavam expostos à venda. O rapaz do bar simplesmente pegou a cédula e a alcançou para o cliente. Em seguida, sem reclamar ou mesmo sem qualquer reação pegou os dois croissants sobre os quais a cédula havia repousado e os jogou no lixo. O fez como sendo a coisa mais natural do mundo. Achei que o fato merecia um registro. Registrado está.

Chegamos no nosso destino no horário previsto o que nos deu margem para um almoço ao menos sossegado. Depois identificamos o B&B e nos instalamos. Com algumas informações obtidas via internet fomos conhecer alguns pontos ainda não visitados por nós.




Por primeiro fomos até a Ponte di Scaligero, também chamada Ponte de Castelvecchio. É considerada pelos historiadores como “a obra mais ousada e admirável da Idade Média em Verona”. Um título e tanto para uma ponte que foi construída por ordem de Cangrande II, para ser um meio para ele e sua família fugir, numa rota de fuga passando pela vizinha Val d’Adige, até o Tirol, onde reinava seu genro Ludovico, o Bávaro. Saiba mais:



Continuamos nossa caminhada rumo à Ponte de Pedra. A Ponte Pietra (italiano para "Ponte de Pedra"), uma vez conhecida como a marmoreus Pons, é uma ponte em arco romano cruzando o rio Adige. A ponte foi concluída em 100 aC.


Ela inicialmente era ladeada outra ponte romana, a Postumius Pons; ambas as estruturas, desde a cidade (na margem direita) davam acesso ao teatro romano na margem leste. O mais próximo arco para a margem direita do Adige foi reconstruído em 1298 por Alberto I della Scala. Quatro arcos da ponte foram explodidos por recuar as tropas alemãs na Segunda Guerra Mundial, mas reconstruída em 1957, com materiais originais. Leia mais

Reiniciamos a caminhada em direção aos nossos aposentos passando por duas igrejas, a saber: A Basílica di S. Anastacia



E a Chiesa S. Giovanni in Foro


Na continuidade passamos pela nossa velha conhecida Piazza dele Herbe. Se um passeio por Verona começa na Arena, ele deve seguir pela Via Giuseppe Mazzini, o calçadão comercial da cidade, que além de ser uma atração em si, leva até a Piazza delle Erbe, que foi, e ainda é, o coração da cidade.


Conta a história, que este lugar foi a praça central na época romana. E naquela época era o chamado Fórum Romano. Era onde acontecia a vida política, econômica e social da cidade. Isto não se alterou com os séculos, e os anos foram passando, gerações foram se sucedendo e a importância da Piazza delle Erbe manteve-se a mesma.

Hoje em dia o que mais tem são baraquinhas que vendem de tudo. Há também muitos restaurantes. Paramos num deles para jantar. 

Como último objetivo do dia paramos na bilheteria da Arena para retirar os nossos tickets para o espetáculo de amanhã.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

6º DIA - BOLONHA

29/08/2018 - Hoje nos concedemos um dia de quase descanso em vista do grande esforço físico de ontem. Ficamos pelas proximidades do nosso apartamento com o propósito de rever algumas atrações dos dias anteriores.

Voltamos à Basílica de San Petrônio pois dentro dela se encontra a meridiana mais longa do mundo, com 67,72m - realizada por Gian Domenico Cassini em 1655. 


Exatamente sobre a meridiana
Graças às observações feitas na meridiana em 1736 Eustachio Manfredi descobriu o fenômeno do alinhamento do eixo terrestre. 

De um furo em uma das arcadas entra um raio de sol que bate na linha mármore na meridiana onde estão esculpidos os sinais dos dias, meses e das estações. Leia mais

Crédito: bolonhesa.com
Também retornamos à Chiesa di Santa Maria della Vita que havíamos visto dias atrás mas já em horário de encerramento de atividades. Visitamos a mostra com calma e fizemos mais algumas fotos.


Uma série de fotos e sapatos mostra os diversos conflitos ocorridos na Europa e a importância dos sapatos na vida daqueles que saíram de seus lares em busca de paz, de liberdade, de justiça. "A Guerra dos Sapatos" lembra os sacrifícios daqueles que escaparam dos horrores da Primeira Guerra Mundial, das perseguições na Rússia (1943), dos deportados para os campos de concentração (1943-1945), dos Dálmatas (1955), Sarajevo (1994) até os refugiados em geral (2014).



De resto, caminhamos pelas ruelas cheias de pequenos restaurantes e bancas de frutas, queijos, presuntos e outras gostosuras.


Almoçamos e depois de um breve descanso fomos conhecer a Basílica de San Giacomo Maggiore, localizada bem perto do nosso apartamento. 


A Igreja foi construída entre 1267 e 1315 pelos frades eremitanos de S. Agostino. No momento da visita estava sendo celebrada a santa missa e um aviso na entrada dizia ser proibida a visitação durante a mesma. Nem mesmo fotos são permitidas. Assim deixamos para outro dia uma visita mais pormenorizada. 

Outra entrada lateral dá acesso ao Oratório de S. Cecília, enriquecida com esplêndidos afrescos que retratam episódios de vida de São Valeriano e Santa Cecília. Os afrescos foram feitos em 1504-06 pelos melhores professores da escola bolonhesa.

Imagem: wikipedia
No seu interior, de março a setembro, sempre aos sábados e domingos, ocorre o San Giacomo Festival, concertos musicais em variados instrumentos. 



Uma boa pedida para quem vai ficar por aqui mais um tempo.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

5º DIA - BOLONHA

28/08/2018 - Dia de pagar todos os pecados. Explico: Percorremos uma via crucis, materialmente falando, que para minha surpresa tinha quinze (15) estações ao invés das tradicionais quatorze (14). Percorre-la, faz parte da visita ao Santuário Della Madona di San Luca. No primeiro dia aqui em Bolonha fotografei o santuário do terraço da Basílica de San Petrônio, donde se pode ter uma idéia do que teríamos pela frente.


Já mencionei que Bolonha é famosa por seus pórticos. O que muita gente não sabe é que o maior pórtico do mundo é aquele que liga a Porta Saragoza ao Santuário hoje visitado. Com quase 4 km de extensão, o caminho porticado é dividido entre 1520 metros percorridos no trecho plano e 2276 metros no trecho em subida. Fizemos o segundo trecho. Mais informações


Da Porta Saragoza até a Basílica são superados 666 arcos – mas a numeração oficial para no arco numero 661 – e 15 capelas. A maior parte da subida apresenta-se em forma de rampa e alguns poucos trechos há degraus. Pelos nossos cálculos toda a extensão percorrida equivale a cerca de 1600 ou mais degraus. Algo como um prédio de cem (100) andares. 


Enfrentamos o desafio com muita garra, assim como uma quantidade razoável de pessoas. Mas o destaque foram as pessoas da cidade, principalmente muitos jovens aproveitando as condições do local para a prática de exercícios físicos. Só o fato de o caminho ser feito à sombra em razão dos pórticos já é um apelo muito forte para enfrentar o percurso. Mas para quem não é chegado a enfrentar desafios, existe um trenzinho turístico que parte da Piazza Maggiore e faz uma parada às portas do Santuário.

A importância do santuário para a cidade tem a ver com o milagre da chuva. Diz-se que em abril de 1433 depois de uma série de tremores, as chuvas castigavam Bolonha, inundando a cidade, destruindo plantações, e prevendo tempos difíceis. Somente uma ajuda divina poderia controlar a fúria da natureza e para isso os sacerdotes resolveram trazer a pintura da Madonna di San Luca em procissão pela cidade. Assim que a imagem cruzou na porta de Saragoza, a chuva imediatamente cessou e as pessoas gritaram o milagre. Segundo a tradição todos os anos no mês de maio realiza-se a uma procissão revivendo o dia do milagre. 

A nota negativa foi chegarmos ao alto no horário do meio-dia, encontrando a igreja fechada, sendo que a mesma só reabriria próximo das quinze (15) horas. Pensamos em almoçar pois tínhamos a informação da existência de uma pizzaria nas proximidades. Efetivamente existe a pizzaria, mas pelo jeito, a mesma funciona no mesmo horário da igreja. Só água e refrigerantes naquelas maquininhas pague-leve. Achamos que seria muito tempo de espera para visitarmos a igreja e inclusive a escalada de mais alguns degraus da torre, de onde teríamos uma visão panorâmica da cidade. 

Mesmo assim conseguimos desfrutar de uma bela paisagem lá do alto.



Mas também colhemos duas fotos do Google tomadas de pontos não acessíveis aos mortais amadores como nós e que dão bem a ideia da grandiosidade do local.

Imagem: Tripadvisor.it

Então decidimos voltar, assim como outros tantos visitantes. Mas, como já mencionei em outra postagem, tudo na vida tem suas compensações. Junto à Porta Saragoza, ao final da descida, bem próximo ao estádio do Bologna, encontramos a Trattoria Meloncello


Pedimos dois pratos típicos de Bolonha: gramigna, que é uma pasta com ragú de carne e torteloni. Pratos deliciosos e dignos de receber menção nominal, com a nossa recomendação da Trattoria.

Gramigna
Depois de repostas as energias fomos até a estação central para comprar passagens, eis que na próxima quinta-feira vamos dar uma esticada até Verona. 

E, como estivéssemos exaustos, nada melhor do que um merecido descanso. Em casa fui procurar no Google informações sobre a 15ª estação na via crucis. Pois segundo a wikipédia, o Papa João Paulo II sugeriu que fosse criada uma décima-quinta estação para recordar a ressureição de Jesus, embora esta seja opcional. Está explicado. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

4º DIA - FERRARA

27/08/2018 - Dedicamos o dia para conhecer Ferrara. Foram apenas quarenta (40) minutos de trem. Chegando no centro histórico, primeiramente fomos conhecer a belíssima catedral, pois um site de viagens anunciava que a mesma estaria aberta até às 12,30hs. Como uma infinidade de outros edifícios, aqui também a igreja está passando por obras de restauração, de modo que não foi possível fotografar a sua fachada.


A Cattedrale di San Giorgio Martire é o principal lugar de culto católico de Ferrara. Se situa no centro da cidade, bem próxima do Castelo Estense. O seu interior, de estilo barroco, tem três naves. No centro se destaca o altar maior, consagrado em 1728, obra de Celio Tirini, escultor veneziano residente em Ravena, que reutilizou mármores provenientes de edifícios de Ravena, em sua maior parte provenientes das ruínas do Palácio de Teodorico. À esquerda do altar está a tumba do papa Urbano III, que morreu em Ferrara em 1187. (cf. Wikipédia)




Em respeito à Santa Missa que estava sendo celebrada enquanto estávamos no interior da igreja, deixamos de fotografar alguns locais e ângulos. 

A atração principal da idade é o Castelo Estense, uma construção grandiosa. O Castelo dos Este (em italiano: Castello Estense ou Castello di San Michele), é o principal monumento de Ferrara. É um edifício de ladrilho com planta quadrada, dotado de quatro torres defensivas e rodeado por um fosso de água. Foi construído a partir de 1385.



O seu interior, embora bem conservado, não conta com o mobiliário de época. Deste modo, o visitante não tem uma noção nem mesmo aproximada do modo de vida ao tempo do seu esplendor.

Mas como tudo na vida tem suas compensações, atualmente as dependências do castelo abrigam uma coleção particular denominada La Collezione Cavallini Sgarbi. A exposição é composta de 130 obras  (pinturas e esculturas) do início dos anos 1400 à metade dos anos 1900 e mostra o resultado das buscas de quarenta anos dedicados ao collezionismo apaixonado de Vittorio Sgarbi com sua mãe Caterina "Rina" Cavallini e com a presença silenciosa de Giuseppe Sgarbi, e provenientes da Fundação Cavallini Sgarbi. Clique aqui para saber mais.





Tivemos sorte pois a duração da mostra foi prorrogada até o dia 2 de setembro próximo. Depois, a mesma exposição estará no Trentino Alto Ádige.

Percorrendo as dependências do castelo fomos até o alto da torre Due Leoni, enfrentando cento e vinte (120) degraus de uma escada estreita e íngreme. Talvez tenha sido um ensaio para o desafio maior, os quatrocentos e noventa e oito (498) degraus da torre de Bolonha. 



Estando no alto das torres dá para entender a razão da sua existência, pois sendo a região uma imensa planície, serviam de postos de observação principalmente para evitar surpresas quanto à aproximação de invasores.

Outra particularidade do castelo são os seus belíssimos afrescos "remendados" com um tipo de tela de origem japonesa, como se vê nas fotos. Perguntei a uma funcionária se era algum tipo de prevenção contra a umidade e ela nos informou que aqueles "curativos" se deviam aos estragos provocados por três (3) terremotos ocorridos em maio de 2012, com intervalo de poucos dias entre um e outro.

Depois das visitas ainda saímos a caminhar pelas ruas reservadas aos pedestres, 


mas como o calor voltou com intensidade, decidimos antecipar o nosso retorno para casa.

domingo, 26 de agosto de 2018

3º DIA - BOLONHA

26/08/2018 - A primeira atividade do dia foi uma visita ao Palazzo D'Accursio ou Palazzo Comunale que é a sede do município de Bolonha e está localizado junto à Piazza Maggiore


A fachada apresenta um portcullis e a Madonna di Piazza con Bambino (uma Nossa Senhora com o Menino), uma obra em terracotta de Nicolò dell'Arca (1478) exposta na parte alta da fachada. Sobre o portal encontra-se uma grande estátua de bronze do bolonhês Papa Gregório XIII (1580). 


No primeiro piso havia uma exposição com motivos orientais e ao lado vimos uma sala onde são realizados os casamentos civis. Aliás eram muitos noivos ali presentes. Sem fotos, em respeito ao ato em si.

A Sala Farnese encontra-se no segundo andar e foi mandada construir tal como é hoje, em 1665, pelo Cardeal Girolamo Farnese. Antigamente era chamada "sala regia", provavelmente porque na Cappella del Legato foi coroado o Imperador Carlos V, em 1530. Os afrescos da capela foram executados por Prospero Fontana, em 1562, e as decorações da Sala Farnese percorrem as vicissitudes da cidade desde a Idade Média ao século XVII.



Ao lado da Sala Farnese está a Collezioni Comunal d'Arte com pinturas, quadros, esculturas, cerâmicas, notadamente de artistas locais.



Na saída, mais noivos registrando em fotos a celebração do casamento.


Depois de degustar as dependências e suas obras de arte, formos experimentar o aperol, um aperitivo comum, típico da Itália.


Para o almoço fomos numa badalada Osteria para provar aquele que talvez seja o prato mais típico da cidade: tagliatelle alla bolognese. 


Nada de especial, assim como o ravioli que foi o prato escolhido pela Lourdes. Aliás, o serviço foi sofrível. O pedido foi feito ao mesmo tempo mas simplesmente serviram o ravioli e esqueceram do meu prato. É bem verdade que a fama fez com que o restaurante ficasse lotado, mas...

E como o restaurante fosse próximo do nosso apartamento fomos descansar um pouco. No meio da tarde passamos pela Finestrella, uma pequena mostra do que eram os canais existentes em Bolonha. 


Passamos novamente pelas torres e passeamos pelos arredores da Piazza Maggiore, onde transcorria uma intensa atividade musical com artistas locais, num palco armado especialmente para o evento.



Tanto ontem quanto hoje notamos que a cidade está lotada de turistas mas não vemos excursões, ou grupos de turistas. De modo especial os japoneses que sempre estão presentes em qualquer parte do mundo, não os vimos por aqui, ao menos em grupos. 

No final da tarde passamos pela Chiesa di Santa Maria della Vita. Em seu interior havia uma interessante exposição de calçados utilizados por peregrinos, soldados e caminhantes em geral. De forma sugestiva a exposição se denomina "caminhamente". 




Calçados, estradas, peregrinos, caminhantes...

... quando os calçados traduzem o pensamento.