Turistas desavisados têm problemas sérios ao utilizar a internet no exterior a partir de celulares e/ou notebooks. O custo da transmissão de dados era (e ainda é) proibitivo. A expansão das redes Wi-Fi minimizou o problema. Em muitos locais, hotéis principalmente, o serviço é gratuito, mas dependendo da distância que se está do roteador, o sinal fica muito fraco e a internet lenta. Só que agora é possível comprar um pacote no exterior a um preço razoável. Em Paris, numa loja da Orange, comprei um micro chip para Ipad por cerca de oito euros e mais uma carga de vinte e cinco euros e fiquei com direito a navegar por um mês, sem qualquer limite. Devo salientar que o 3G de lá funciona mesmo. Andei pelo interior e nos mais remotos lugares nunca fiquei sem sinal. Apenas em dois lugares, longe de tudo, o sinal ficou fraco mas mesmo assim consegui ler emails, acompanhar o facebook e fazer postagens no blog. Ter acesso à internet, principalmente para quem viaja de carro é um conforto indispensável. As consultas a hotéis e respectivas reservas eram feitas a partir do momento em que decidíamos repousar. No caso de optarmos por Chambre d'Hôte, geralmente localizados na zona rural, montávamos a rota a partir do Maps do Ipad, ou copiando as coordenadas, a partir da identificação do local. Outra facilidade era a verificação prévia das distâncias entre um local e outro. Enfim, todas as facilidades de consulta, sem estar em casa ou no escritório ajuda muito o viajante. Apenas não consegui ligações telefônicas via skype. Parece que a Orange criou algum filtro impeditivo, o que é compreensível. Mesmo assim não cogitei adquirir um pacote para o Iphone uma vez que a comunicação com os familiares eram feitos via facebook e também por email. No caso do facebook, optei por criar um grupo familiar com acesso restrito às pessoas convidadas, de modo a não misturar mensagens de cunho particular com aquelas gerais. Funcionou muito bem. Para aqueles que não conseguem ficar longe do contato verbal, existem opções semelhantes às do Ipad.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
PLANEJAMENTO
Decidido que iríamos para a Normandia e para a Bretanha, passamos a coletar informações sobre lugares a conhecer. Como ficaríamos alguns dias em Paris, duas fontes de pesquisas foram muito úteis, via internet: Conexão Paris e Viaje na Viagem. Baixei alguns aplicativos para Ipad e que foram muito úteis, como o GÎTE DE FRANCE, para hospedagem. Como guias turísticos baixei o PETIT FUTÉ das duas regiões. Ferramenta que se revelou bem interessante e útil foi o site francethisway. Para cada cidade apresenta um resumo das principais atrações e ao mesmo tempo informa lugares interessantes nos arredores, o que facilita a montagem de um roteiro de visitas. Esta é apenas uma parte do que o site oferece. Há muito mais, destacando-se a informação sobre hotéis e a possibilidade de reservas. Existem versões para outros países, como Itália, Espanha e Alemanha. Mesmo munidos de todos esses meios, nunca dispensamos uma passagem prévia pelo Ofício de Turismo de cada cidade visitada. Informações preciosas sempre são prestadas nesses escritórios, além de fornecer mapas da cidade e dicas nem sempre encontráveis em outros locais. Afora as sugestões de visitas, em alguns casos é possível a aquisição de ingressos para espetáculos e indicações de hospedagem. Detalhe que SEMPRE deve ser observado antes da partida é o tipo de tomada elétrica do país de destino. Para tanto sempre levo comigo uma ou duas tomadas do tipo universal.
TRÂNSITO
Desde o dia 14, quando recebemos o carro em Paris até a entrega em Nantes, rodamos 2.456 quilômetros. Não tivemos problemas nos deslocamentos. O GPS, depois que localizou o satélite, funcionou perfeitamente. Segundo um ditado, quem tem boca vai a Roma, pois eu emendo para dizer que quem tem GPS vai a qualquer lugar. Optamos pelas estradas de interior para melhor curtir a paisagem. Sem problemas. Não encontramos motoristas estressados, loucos por uma ultrapassagem. Invariavelmente todos respeitam os limites de velocidade, as faixas de segurança bem como as centenas de ciclistas que andam pelas estradas. Caminhões nem pensar. Nas poucas vezes que transitamos por auto-estradas encontramos alguns caminhões pequenos, mas nenhum desses monstros que utilizam quaisquer estradas brasileiras. Os que encontramos respeitavam os limites de velocidade e principalmente a faixa da direita. Raramente se viu algum caminhão empreendendo alguma ultrapassagem. Motoristas de automóveis dirigem pela direita e só usam a faixa da esquerda para ultrapassar. Realizada a manobra, retornam, como deve ser, à faixa da direita. Outro detalhe interessante é o número reduzido de sinaleiras. Na grande maioria das vezes, o trânsito é ordenado por rotatórias. No perímetro urbano das cidades, se a via estreita não permite a circulação de dois automóveis simultaneamente, são feitos os recuos e os motoristas sempre dão a preferência para quem transita à direita, ou àquele que chegou antes ao ponto de estreitamento. E todo mundo se entende. Quase sempre é sacrificada a largura da rua em favor da construção antiga.
EXCURSÃO
Nunca viajei de trem e assim não me sinto em condições de tecer qualquer comentário a respeito. Sempre viajei integrado em alguma excursão e algumas poucas vezes fui de carro. São dois conceitos de viajar completamente diferentes. Ambos apresentam vantagens e desvantagens. Na excursão o programa é previamente conhecido e assim não há qualquer preocupação com hospedagem, compra de passagens, e coisas do gênero. O maior inconveniente é a rigidez de horários, ao lado da troca constante de hotéis. Minha experiência com excursão se deu em duas situações diversas. Algumas vezes viajei com a Sato, contratando com a Queensberry. Só elogios, embora a rigidez de horários e a troca de hotéis de que falei anteriormente. A outra situação, bem mais maleável, foi viajar com a Lovetur, uma agência de turismo de Florianópolis. O grupo é fechado pelo tempo integral. A responsável pela agência acompanha o grupo, de modo que os problemas que forem surgindo durante a excursão, vão sendo resolvidos na hora. Outro destaque é ser conduzidos sempre pelo mesmo motorista. A agência é focada em excursões para a Europa, com ênfase para a Itália. Há uma certa flexibilidade nos horários e até mesmo nos programas, sempre com a possibilidade de algum plus improvisado. Particularmente sempre gostei da informalidade dos serviços prestados pela agência. Ruim mesmo é que já participei de todos os roteiros oferecidos. Daí a disposição de viajar de carro, assunto para o próximo post.
CARRO
Viajar de carro implica envolver-se com tudo, a começar pela escolha do destino e respectivos roteiros. Há a questão dos bilhetes aéreos, da hospedagem no destino, da locação do veículo e tudo o mais que envolve uma viagem desse tipo. Para aproveitar certos destinos na sua plenitude, só mesmo indo de carro. Conhecer a Normandia e a Bretanha, como nos propusemos conhecer, não havia outra alternativa. Tal modalidade de de viagem oferece algumas vantagens. Você é dono do seu tempo, fixa os horários segundo a sua única vontade. Se determinado lugar supera a espectativa, há sempre a plena possibilidade de protelar a estada. Ao contrário, se poucas horas são suficiente para visitar determinado lugar, basta a vontade de colocar o pé na estrada e seguir em frente.
O mesmo se dá com as refeições e hospedagem. Você determina quando e onde parar. Um restaurante ou um piquenique num dos muitos refúgios à beira da estrada, o que sempre é um programa nada desprezível. E barato. Em matéria de hospedagem, na Itália tive boas experiências com os Agriturismo e na França com os Chambre d'hôte. Além dos preços convidativos, é muito legal poder conversar com pessoas comuns e ver como elas vivem. As melhores dicas de passeios são dadas por essas pessoas, sempre zelosas com seus clientes. Dependendo da cidade que servirá de base para os passeios, a diária do hotel pode sair mais cara do que se pensa. Normalmente em cidades históricas os hotéis não dispõem de estacionamento e ainda cobram o café da manhã. Em alguns hotéis a internet não é gratuita. Isto pode significar um acréscimo considerável no custo da diária. Outra coisa que a excursão não oferece é andar pelo interior. Sempre que posso evito as auto-estradas, a não ser que estrategicamente seja necessário pecorrer grandes distâncias em pouco tempo. Viajando por estradas rápidas o visual não tem beleza alguma e se repete ao longo dos quilômetros. Há que se considerar que muitas dessas estradas são pedagiadas, o que encarece o custo da viagem.
Por seu turno, viajando por estradas secundárias, sempre existe a possibilidade de encontrar pequenas povoações típicas, onde sempre se come bem. Há a questão do estacionamento, principalmente nas cidades históricas, mas é um problema comum a todos os viajantes/motoristas, de sorte que todos navegam no mesmo barco.
IGREJAS
Ao longo da viagem visitamos inúmeras catedrais e igrejas. Há verdadeiras obras de arte, revelando o poderio econômico de quem patrocinou a construção. A época em que foram construídas pode proporcionar outras revelações. O estilo arquitetônico também pode se revelar uma excelente fonte de pesquisa. Particularmente gosto de esculturas e muitas catedrais são pródigas nesse ítem. Também me interessam as construções por elas mesmas. Meu pai era pedreiro e durante a minha infância o acompanhei muitas vezes até o local das obras onde ele empregou o seu conhecimento. A facilidade, ou melhor, a destreza que ele tinha para movimentar aquelas pedras enormes, edificando altas paredes, sempre me fascinou. Especialmente o conhecimento empírico de equilibrar as pedras no alto das portas, sem argamassa ou apoio transversal, para mim era um verdadeiro mistério. Agora, com a compreensão de como tudo isso é possível, ao visitar as catedrais sempre fico imaginando as dificuldades enfrentadas pelos construtores, principalmente no que diz respeito à necessidade de andaimes para alçar as pedras às alturas. Os telhados também me fascinam. Mas tem um outro motivo para tantas e reiteradas visitas a igrejas e catedrais: o bem estar físico. Isto mesmo, o bem estar físico. Geralmente viajamos na primavera ou no verão. Para conhecer os lugares é preciso caminhar, e muito. Quando estou cansado e o dia está quente, entrar numa igreja é muito bom. Geralmente as catedrais são bem fresquinhas e sempre há lugares disponíveis para sentar. Descansar no interior de uma igreja, com silêncio quase total, é reconfortante. É a união do útil ao agradável.
terça-feira, 29 de maio de 2012
RETORNO
29/5/2012 - Depois de uma noite mal dormida fomos tomar o café da manhã com um casal francês muito simpático - Juliette e Armand, sempre com a supervisão da simpática, elegante e eficiente Cathy. Pela cara da Lourdes eles adivinharam que algo não estava bem, então falamos sobre o passamento do Luppy. Foram muito solidários conosco e ficamos conversando bastante tempo com eles. Nos despedimos, fechamos as malas, pagamos a conta e duas surpresas: primeiro, a garrafa de vinho Merlot que consumimos nos foi dada de brinde pela gentil Cathy; segundo, ao nos despedirmos ela tomou a iniciativa de nos abraçar e nos beijar no rosto afetuosamente. Tudo pronto, programamos o GPS para o aeroporto de Nantes e pronto embarque rumo a Paris. Depois de duas horas de estrada e de umas quinhentas rotatórias durante toda a viagem, entregamos o carro no aeroporto, findando, assim, uma etapa da viagem. Depois do almoço os procedimentos de embarque e a chegada em Paris. Compra dos últimos presentes, restando aguardar a hora do embarque sob uma temperatura digna do alto verão.
VANNES
Dia 28, último dia da viagem. Fomos conhecer a cidade de Vannes. Era feriado religioso (Pentecostes) e portanto, mais uma roubada. Mesmo assim aproveitamos bem o dia. A cidade antiga conserva ainda algumas casas construídas no estilo "colombage", assim como conserva parte das muralhas de proteção.
Também aqui a história se perde no tempo. As evidências remetem os estudiosos a tempos muito anteriores à passagem dos romanos.
Depois fomos rodar pelo Golfo de Morbihan onde inúmeras praias fazem a alegria de locais e de turistas. Apesar das informações do serviço de meteorologia, o sol esteve presente em quase todo o dia. Maurice, o nosso hospedeiro, disse-nos que a região do golfo forma um micro sistema próprio que não tem nada a ver com o clima geral da Bretanha.
Paramos para almoçar num restaurante à beira da estrada. Visto de fora não se dava crédito algum, mas lá dentro, quanta diferença! Como despedida da Bretanha seguimos a sugestão da dona do restaurante e comemos comida típica: galette - um tipo de panqueca, feita com trigo sarraceno. É recheada com presunto, cogumelos, queijo da região, cebola e um ovo cru que cozinha com o calor da galette. Também por sugestão dela tomamos cidra retirada da bomba, tal qual o nosso chope. Como sobremesa comemos um crepe com geléia de amoras, afinal, creperias é o que mais existe por aqui.
Distante de Vannes, pouco mais que trinta quilômetros, seguimos a dica que nos foi passada no restaurante. Surpresa agradabilíssima: Rochefort-en-Terre. Outra cidadezinha medieval que parou no tempo. Está situada sobre um contraforte natural donde era possível controlar a passagem sul-norte, entre o litoral atlântico e o interior. Há resquícios da existência do povoado que remontam ao século XI.
O conjunto de casas segue um estilo próprio. As edificações e os muros que separam as propriedades ou mesmo que protegem a beira das ruas, são feitas com pequenas pedras irregulares de ardósia. Têm vinte ou trinta centímetros de comprimento e uma altura máxima nada maior do que cinco centímetros. Colocadas umas sobre as outras, unidas por algum tipo de argamassa, tornam-se úteis e belas.
Aqui também encontramos uma catedral que apresenta-se tal como nos tempos em foi construída. Pedras grandes e irregulares formam o piso, revelam provecta idade do logradouro.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
LUPPY
28/05/2012 - Ficamos hospedados no "Clos de Kerhouil" a 14 quilômetros da cidade de Vannes. Também está situado na zona rural. Fomos recebidos pelo simpático casal Cathy e Maurice. Nossos aposentos são separados da casa, conforme aparece na foto.
De manhã fomos acordados pelos passarinhos, mas de uma forma diferente. Explico: a parede onde fica a cabeceira tem uma parte feita com vidro reflexivo. O dia amanheceu limpo e o céu azul era refletido no vidro. Os pássaros vêm na direção da janela e batem no vidro. Não percebem a parede invisível alí existente. Com o choque, alguns chegam a morrer.
Nosso café da manhã foi compartilhado com outros três casais sob a administração da atenciosa Cathy. Ela é super gentil, atenciosa e organizada em favor do bem-estar de seus hóspedes. Saímos para o nosso último dia de andanças desta viagem.
Hoje (28/5) não tem resenha. É um final de tarde muito triste para nós, tão distantes de casa. Perdemos o Luppy ainda no dia 20, mas só hoje nosso filho Ramon nos comunicou o fato. Lá no fundo sabíamos que o final estava próximo. A jovialidade, os movimentos, e o convite para as brincadeiras já não eram iguais. Até as broncas com a Lúcia eram cada vez mais espaçadas.
Foram quase treze anos de amizade e devoção. Sua presença em nosso cotidiano o alçou à condição de membro da família. Cada membro da nossa família o amava ao seu modo. A recíproca sempre foi verdadeira. Ele foi o grande companheiro da Lourdes, principalmente nas minhas ausências e na sua tarefa diária de buscar o jornal.
Foi meu companheirão nas caminhadas na esteira e junto à mesa, nas refeições diárias. Mesmo debilitado, animava-se com a presença dos netinhos e se esforçava para estar sempre junto deles. Sua vida era doar-se constantemente a nós.
Com certeza ele fará muita falta. Amanhã retornaremos ao Brasil e só em casa complementarei as informações do blog com as atividades do último dia. Descupem pela emoção.
domingo, 27 de maio de 2012
BRETANHA - DEPARTAMENTO DE MORBIHAN
27/05/2012 - Hoje saímos do Departamento de Finistère e chegamos ao Departamento de Morbihan, ambos na Bretanha. A região da Bretanha tem muitos ditados populares que buscam explicar sua gente e sua terra. Um deles diz: "En Bretagne il pleut deux fois par semaine: une fois, trois jours; et une fois, quatre jours". (na Bretanha chove duas vezes por semana: uma vez, três dias e outra vez, quatro dias). Ao menos no norte parece que o ditado se confirma. O outro ditado diz mais ou menos o seguinte: na Bretanha chove quando chegamos e choramos quando partimos.
Depois do café da manhã nos despedimos do casal Elise e René com lágrimas nos olhos e cheios de emoção por tudo o quanto eles nos proporcionaram nos dois dias em que com eles estivemos.
Nossa próxima e última base será em Vannes. No caminho alguns lugares interessantes a conhecer. Começamos por Concarneau, uma cidade portuária cuja parte antiga é murada.
Fazendo jus à tradição, estava frio e chovia um pouco. Mesmo assim fomos conhecer a fortaleza. Caminhamos pela ruela principal e um pouco sobre as muralhas.
Algumas fotos depois fomos embora.
De volta à estrada passamos por Quimperlé mas não paramos. Preferimos ir diretamente para Carnac onde se encontram os alinhamentos. É outro local místico. Existem mais de 3000 menires e dólmens, além de tumbas pré-históricas, que datam do período neolítico (entre 4500 e 2000 a.C.), construídas em sua maioria em linhas perfeitamente retas.
Astrônomos e arqueólogos dizem que esses monumentos megalíticos são autênticos observatórios destinados à previsão de eclipses na Idade da Pedra.
Na seqüência paramos em Pont Aven para almoçar. O tempo já estava melhorando e só demoramos um pouco para encontrar vaga em num estacionamento. Depois do almoço saímos a caminhar pela rua que ladeia o pequeno porto.
Era dia de feira - brique - onde havia de tudo sendo comercializado. Um lugar pequeno mas bem cuidado e muito agradável.
Bem perto de Carnac está Quiberon, um lugar diferente de tudo o quanto vimos até agora. Com uma superfície de pouco mais de oito quilômetros quadrados, Quiberon encontra-se na ponta sul da península de Quiberon. Conta com várias praias próprias para banho.
Nas fotos do mapa dá para ter uma idéia de onde estivemos. Em determinado ponto a largura da faixa de terra/arreia talvez não passe de 500 a 1000 metros.
Na parte da tarde o sol brilhou intensamente e centenas de franceses aproveitaram para pegar uma cor. Bem na extremidade da península encontramos mais um bunker.
Terminamos o dia nos instalando no Chambre d'hote Clos de Kerhouil, a poucos quilômetros de Vannes.
sábado, 26 de maio de 2012
A COSTA BRETÃ
26/05/2012 - Optamos por ficar hospedados num Chambre d'Hote. Chama-se Charmance e está situado na zona rural do município de Pluguffan, cerca de cinco quilômetros de Quimper, que em francês pronuncia-se "campér".
Seus proprietários, Elise e René, são muito atenciosos e preocupados com o nosso bem estar e com o máximo aproveitamento do passeio. O local é muito aprazível. Hoje de manhã fomos brindados por uma sinfonia primaveril dos mais diversos tipos de pássaros que habitam os bosques próximos. Dois galos trocavam informações, um próximo de nós e outro mais distante. Coisas simples que lamentavelmente estão se perdendo. Elise preparou um excelente café da manhã e como já esperávamos, tinha preparado outro roteiro-sugestão para os passeios de hoje. O sr. René, por sua vez, nos municiou com mapas e outras informações úteis. Tudo pronto, partimos para mais uma etapa.
Nosso passeio iniciou com o céu encoberto. Vento frio e algum chuva pelo caminho. Fomos em frente, afinal de contas tínhamos enfrentado situações bem piores dias atrás. Passamos por pequenas cidades e pequenas vilas de pescadores. Tudo de acordo com outro roteiro-sugestão preparado pelo casal Elise e Renè. Iniciamos por Bènodet, no estuário do rio Odet. Aos fundos, a magnífica ponte.
Depois passamos por Ile Tudy, Pont L'Abbé, Lesconil e Guilvinec.
Em Penmarch almoçamos frutos do mar no restaurante Le Doris. Não muito distante dali encontramos um sitio arqueológico com dólmens.
Dali fomos para Audierne que havia ficado para trás no dia de ontem. Toda a costa hoje visitada caracteriza-se pelos pequenos portos pesqueiros. Um deles é Plouhinec. Uma graça.
A região é muito acidentada, com paredões e muitas pedras. Mas há muitas pequenas praias com areia fina e branca. Por isso, também, é possível constatar que é uma zona turística e no alto verão deve fervilhar de pessoas.
Embora estejamos a uma distância razoável de Saint Michel e Saint Malo, é possível constatar que as marés também oscilam bastante. As marcas da água nos paredões e os barcos em terra firme, estando a maré baixa, nos dão a certeza de uma forte alternância entre os níveis mínimo e máximo. Aos poucos o céu foi clareando, com o que aproveitamos toda a tarde nos deliciando com a paisagem maravilhosa.
Além de dólmens, também encontramos menires, atestando a forte influência celta.
Como curiosidade anotamos que todas as pequenas catedrais seguem o mesmo estilo, o que nos leva a concluir que um só arquiteto (ou similar) detinha o monopólio das construções.
Terminamos o passeio do dia retornando a Quimper, que é a maior cidade da região. Há muita história por todos os lados. Basta dizer que foi fundada pelos celtas e depois foi ocupada pelos romanos. Pretendo complementar as informações em nova postagem, quando retornarmos ao Brasil. Sendo sábado, praticamente todas as ruas centrais ficam interditadas para automóveis, de sorte que as pessoas podem caminhar livremente.
Foi muito agradável ver as pessoas - locais e turistas - ocupando as mesas de inúmeros bares ao ar livre, de preferência sob o sol. Outro destaque são os canais, em plena cidade, por onde correm águas limpíssimas, povoadas de peixes. Nada de poluição.
Igualmente não se vê grupos de adolescentes e pós-adolescentes bebendo em latinhas de cerveja e fazendo algazarra.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
QUIMPER
25/05/2012 - Partimos de Saint Malo antes das 9,00 hs da manhã, já que teríamos mais de 200 km até chegar à próxima base: Quimper. Pensávamos curtir a paisagem mas a neblina baixa não permitiu. Somente a poucos quilômetros do nosso destino é que o sol apareceu. Bem, aí ele disse a que veio - acho que a temperatura superou os 30 graus. No Ofício de Turismo recebemos os mapas e demais informações e partimos para o almoço. O prato do dia era peixe com acompanhamentos diversos, com destaque para uma cebola agridoce, parece que cozida no vinho. Para acompanhar, uma cerveja vermelha, com baixo teor alcoólico e um pouco adocidada. Uma delícia! Depois aproveitamos para conhecer um pouco do centro da cidade.
Numa esquina havia um rapaz fazendo variações diversas no sax alto. Deixei uma moeda e falei: - Stan Getz! Ele sorriu e quando já estavamos um pouco distantes ouvi o som de Garota de Ipanema. Agradeci e de longe ainda continuamos ouvindo as variações e floreios sobre o tema. O sujeito sabia tudo de sax. Depois tratamos de encontrar nosso Chambre d'Hôte. Não foi uma tarefa difícil, apesar do GPS não ter conseguido identificar o lugar. A dona, Elise, é de uma simpatia ímpar. Enquanto nos acomodávamos no quarto, ela nos preparou um roteiro de visitas para as horas faltantes do dia. A primeira e principal atraçao de hoje foi uma visita a Locronan, uma vila medieval fantástica. A igreja e o casario tem mais de 500 anos. De todas as igrejas e catedrais da Idade Média que conhecemos, a de Locronan, com certeza é a mais original. Pelo piso da mesma é possível constatar que nada ali foi modificado ao longo dos séculos.
Outra capela tão ou mais antiga que a primeira.
O conjunto arquitetônico mantém uma harmonia perfeita e aqui ficamos sabendo que a "village" serviu de cenário para diversos filmes, sendo "D'Artagnan" o mais conhecido. A seguir, uma livraria céltica e outra casa típica, muito antiga.
Nossa próxima parada foi em Poullan Sur Mer, pequena vila onde fizemos uma foto da igreja.
Também por indicação da Sra. Elise fomos até Point du Millet. Numa área de preservação ambiental funciona um moinho muito antigo movido a água, onde, de maneira artesanal são processados os diversos cereais da região, notadamente o trigo. A pessoa que cuida do local comercializa o produto da moagem e outros sub-produtos.
Há também uma deslumbrante visão da famosa Maison de la mer.
Nosso último objetivo foi Pointe du Van, também uma reserva ornitológica, de onde se tem uma visão magnífica do oceano e os penhascos que tentam aprisioná-lo.
Na saída vimos que o tempo estava virando. Trovoadas ao longe anunciavam que choveria forte. Na hora lembrei que os corajosos gauleses - leia-se Asterix & Cia - tinham medo apenas que o céu lhes caísse sobre as cabeças... Mas as nuvens derivaram para o oceano.
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