sexta-feira, 28 de setembro de 2018

ATENTADOS

No ano de 1980 ocorreu um ataque terrorista o qual ficou conhecido como o Massacre de Bolonha. Foi um atentado terrorista na Estação Central, na manhã de sábado, 2 de agosto de 1980, que matou 85 pessoas e feriu mais de duzentas. 


O ataque foi materialmente atribuído à organização terrorista neofascista Nuclei Armati Rivoluzionari. As suspeitas de envolvimento do serviço secreto italiano surgiram pouco depois, devido ao uso de explosivos ​​para a bomba e o clima político em que o massacre ocorreu, mas nunca foi provado.

Às 10:25 uma bomba-relógio contida em uma mala abandonada foi detonada dentro de uma sala de espera da estação ferroviária que estava repleta de pessoas. A explosão destruiu a maior parte do edifício principal e atingiu um trem que estava esperando na primeira plataforma. Dois relógios estão afixados no prédio da estação: o da direita registra o horário local. O da esquerda está parado justamente às 10:25hs, como forma de lembrança perene daquela atrocidade.


A explosão foi ouvida a quilômetros da estação. O teto da sala de espera desabou sobre os passageiros, o que aumentou consideravelmente o número total de mortos. O ataque foi registrado como a pior atrocidade na Itália desde a Segunda Guerra Mundial.

Outra ocorrência mas sem danos maiores, ocorreu em 2016, desta vez nas proximidades de um dos mais importantes pontos turísticos de Bolonha, as Duas Torres. Uma estátua de São Petrônio, padroeiro da cidade que encontra-se na praça ‘di Porta Ravegnana’, exatamente abaixo de ‘As Duas Torres’, amanheceu com uma inscrição em árabe. A frase “Alá Akbar”, que significa “Deus é grande”, ocupou em grande medida a base da escultura. Para saber mais clique aqui.


O fato está intimamente ligado à um afresco existente na Basílica de San Petrônio considerado ofensivo ao Islã. É uma obra do Giovanni da Modena, no qual se representa o Profeta do Islã nu condenado ao inferno.

Em vista destes acontecimentos, a basílica tornou-se um dos locais mais vigiados de Bolonha. É ostensiva a presença de policiais à porta do templo, assim como de viaturas oficiais.



Pesquisando na internet toma-se conhecimento de que ao menos duas ações policiais frustraram ataques terroristas naquele local. A vigilância foi reforçada a partir dos ataques terroristas de Paris em 2015 à sede da Charlie Hebdo.

A Itália, assim como a Europa, é maravilhosa, mas tudo tem seu preço.

domingo, 23 de setembro de 2018

31º DIA - BOLONHA

23/09/2018 - Hoje praticamente repetimos o programa de ontem. Passamos na feira para falar com a Bárbara e ela nos esclareceu que era a organizadora do evento e não tinha produtos em exposição.



Lamentamos que hoje o pequeno museu não estava acessível ao público. Apenas para constar, posto a única foto da pequena capela que fiz ontem.


Também fizemos algumas fotos dos produtos expostos e caminhamos em direção à Piazza Maggiore, a partir de onde tudo acontece.





Um clima delicioso para caminhar pelas ruas sem carros e plena de gente passeando. É uma cidade descontraída, cheia de cafés e restaurantes. Ocupar uma mesa na rua para almoçar, tomar um café ou mesmo um aperol, o aperitivo mais apreciado por aqui, já é um programa e tanto. É o que as pessoas fazem, turistas ou não, com bastante intensidade.



De quando em vez, durante a caminhada, uma parada para mais uma foto de um ou outro edifícios, com certeza já fotografado em dias anteriores. Porém, com a luminosidade de hoje, não há como resistir. 




E se tudo acontece a partir da Piazza Maggiore, não perdi a oportunidade de registrar a presença de um pedinte um tanto incomum. 


Não sei exatamente qual é o seu modus operandi, mas tudo tem a ver com uma espécie de convite aos passantes para uma jogada no tabuleiro de xadrez. É a imaginação à serviço da sobrevivência.

Bem perto está o Hotel Roma, que por sua vez está próximo da casa de Lucio Dalla.


Pois bem, numa de suas vitrines há várias fotos do músico acompanhado de amigos, dentre eles, o também bolonhês Gianni Morandi. Com as fotos está exposto o clarinete de Lucio e a partitura de Felicità, obra que ele compôs. 

Enfim, caminhando pelas ruas da cidade sempre há algo para ver que embora tendo passado várias vezes por aquele local. Pois despertou nossa atenção um quadro de avisos afixado numa parede e protegido por vidro.


Trata-se de um aviso do tempo da Segunda Guerra Mundial através do qual a população era orientada  a enviar seus pedidos de socorro durante os ataques aéreos à cidade através dos números telefônicos ali indicados. Achei oportuno registrar o achado uma vez que nunca sentimos, nem de perto, os efeitos de uma guerra. 

Também achei interessante registrar um penteado masculino que está bastante difundido pelas ruas, não só de Bolonha mas de todas a cidades por onde andamos.


É o "rabo de cavalo", porém formado no alto da cabeça. Penso que isto esteja ocorrendo por influência do imenso número de afrodescendentes chegados à Europa, para os quais é comum arrumar o cabelo desta forma. 

Porém, o ponto alto do dia aconteceu junto às duas torres, onde atuava um quarteto, o mesmo que dias atrás havíamos encontrado. Muito bons. O jovem do clarinete é um virtuose. Ficamos um bom tempo vendo e ouvindo. Então pedi que tocassem Caravan. Foi demais! É só conferir no vídeo.


E com esta postagem, damos por encerrado o relato de mais esta viagem, antecipando que amanhã, ao partirmos de Bolonha, o faremos bastante felizes por termos "morado" nesta cidade e tristes ao mesmo tempo pelo final da nossa estada por aqui. Uma lembrança auditiva sempre nos acompanhará. Clique aqui. É o sino de uma igreja próxima que toca todos os dias precisamente às 19:30hs.

Aproveito para informar que o blog continuará ativo mas o acesso ao seu conteúdo só será possível mediante solicitação.

sábado, 22 de setembro de 2018

30º DIA - BOLONHA

22/09/2018 - É sábado, dia de curtir a movimentação de pedestres pelas vias centrais da cidade. Antes fomos prestigiar a We Art Market, uma feira de artesanato que se realiza neste final de semana no Chiostro San Martino, distante cem metros aqui de casa.  


A Bárbara, nossa hospedeira, foi quem nos convidou. Ela é uma das organizadoras e apresenta o seu projeto da seguinte forma:

Nosso projeto é abrir o artesanato para a cidade, melhorar os espaços públicos agora em desuso, aproximando mais pessoas às raízes do passado, a criação de um valor de reciprocidade que visa unir conhecimento e cultura. O evento não será apenas uma oportunidade para mostrar, mas também para co-realizar novos conhecimentos e boas práticas para o benefício de toda a comunidade da cidade.

Durante dois dias, os visitantes poderão admirar não só a beleza do artesanato, mas também o esplendor arquitetônico que a cidade esconde em seus lugares mais inacessíveis. O evento irá, portanto, redescobrir os visitantes a beleza dos objetos criados com as mãos e com paixão, em um local de encontro para todos, maravilhoso e mágico. Um contexto onde surpreender e se surpreender com o que a fantasia pode criar.

O objetivo desta iniciativa e a ambição que estamos apresentando é reunir jovens artesãos bolonheses, instituições e cidadãos em um design orgânico e ideal.

O evento reconhece e promove o valor da novidade e da excelência representada por este tipo de iniciativa em nossa cidade, na beleza de criações originais e únicas, na vivacidade da proposta que injetará vida nova no tecido criativo de Bolonha.

Federico e Barbara

Co-fundador e diretor de criação


A maior parte do tempo que permanecemos no local foi dedicada a uma agradável conversa com um amigo da Bárbara que, por ter morado em Portugal, falava o nosso idioma e queria praticar um pouco. Abaixo, algumas fotos obtidas do site www.wartmarket.it, dando uma idéia do foco da feira.




O Claustro é bem interessante, com muitos afrescos. Há também um pequeno museu junto a uma capela lateral e que hoje de manhã estava um pouco concorrido para visitação. Na visita de amanhã faremos outros registros fotográficos, inclusive da variada artesania exposta.


Como tínhamos alguns itens pendentes de aquisição nos dirigimos ao centro da cidade. A chegarmos no Palazzo Re Enzo nos deparamos com uma feira gastronômica, sobre a qual falarei mais adiante.

Só a visita ao palácio valeu o dia. O Palazzo Re Enzo, chamado Palazzo Nuovo para distingui-lo do Palazzo del Podestà, foi construído entre 1244 e 1246 como uma extensão dos edifícios municipais.



Apenas três anos depois, tornou-se a "residência" do rei prisioneiro da Batalha de Fossalta, a quem o palácio deve o seu nome: o rei Enzo da Sardenha, filho de Frederico II, que ali passou vinte e três anos, até sua morte (1272). 

Por evidente, em razão do Festival do Ragú, praticamente todas as dependências do palácio estavam tomadas por pequenas bancas de negociantes vendendo seus produtos e mesmo preparando refeições rápidas para serem consumidos ali mesmo.



Mesmo assim, capturei algumas imagens que mostram a beleza interior do palácio, com seus afrescos e seus lustres.



Um aperitivo para refrescar e fomos até a Piazza Maggiore, bem ao lado, onde a movimentação de pessoas indicava a realização de algum evento. E tinha. Um dos expositores nos explicou que era uma campanha em favor da mobilidade urbana com um foco especial para o uso de bicicletas.



Havia também um apelo focado na poluição, de modo especial, para o uso do automóvel elétrico movido a energia solar.



Nas fotos vê-se um modelo experimental. Estamos falando de Europa onde em boa parte do ano o sol é um ilustre desconhecido. Já em terras tropicais...

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

UM TENOR À MODA ANTIGA

No dia em que visitamos o Campanário da Igreja San Pietro, em Bolonha, havia um casal que aparentava mais idade que a nossa. Chegaram eufóricos ao topo da torre e acompanharam com real interesse todas as explicações do nosso guia.

Quando resolvemos descer, o referido casal saiu na nossa frente. Pensei por um momento que teríamos nossa trajetória retardada. Ledo engano. Eles enfrentaram a descida com bastante disposição.

Houve um momento em que o sujeito ia descendo e cantando. Começou com 'O Sole mio, depois engatou um Torna a Surriento, e se sucederam outras canções napolitanas. Não é que ele fosse  afinado mas tinha uma voz potente. Apenas naqueles agudos em que poucos são capazes de alcançar, ele não era do seleto grupo dos poucos e... falseava e trocava de música.

E assim fomos até a base da torre a partir de onde ingressamos na cripta. Cumprimentei o caloroso tenor e na oportunidade ele me disse que acabara de completar 77 anos de idade e cantar sempre foi a sua grande diversão e forsi um sonho artístico.

Por seu turno, sua esposa nos confidenciou que sempre que o Genaro (o nome inventei agora) vai tomar banho, ela se prepara pois sempre acontecem as entusiasmadas demonstrações líricas do marido. Ainda bem, ela complementou, que ele toma banho duas vezes por semana.

De minha parte fico no direito de pensar que o nosso aspirante a tenor só não chegou ao  estrelato por falta de banho.

29º DIA - BOLONHA

21/09/2018 - Dedicamos boa parte do dia de hoje para conhecer e desfrutar dos Giardini Margherita, que é o maior e mais freqüentado parque da cidade. 


O projeto foi confiado ao conde Ernesto Balbo Bertone, de Sambuy, que já havia trabalhado no Parque Valentino, em Turim, para oferecer a Bolonha um grande espaço verde público baseado no exemplo das principais cidades italianas e européias.


O jardim foi inaugurado em 1879 com o nome de Passeggio Regina Margherita, em homenagem à esposa de Umberto I.

Os jardins, que cobrem uma área de 26 hectares, conservam boa parte do layout original, vagamente inspirado nos parques românticos ingleses, com largas avenidas arborizadas, um lago cercado por falsas falésias, vastos gramados, carvalhos e outros bosques. 


Durante a construção do parque, um cemitério etrusco surgiu na área, de onde vem o valioso túmulo de travertino que pode ser admirado na beira do gramado central. 


Uma curiosidade, no lado sul da lagoa, é o pequeno trecho de espaço aberto que ainda corre o antigo canal de Savena (1176), um dos canais que antes caracterizavam a cidade.




Desde 1944 há no parque o monumento equestre a Vittorio Emanuele II, uma obra de 1884 do escultor Giulio Monteverde, transportada da Piazza Maggiore a um ponto de referência no panorama dos jardins.


Enfim, foram horas agradáveis junto à natureza, com o que aplacamos um pouco o forte calor que ainda se faz sentir por aqui.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

28º DIA - BOLONHA

20/09/2018 - Não programamos nada para o dia de hoje. O dia da nossa partida se aproxima e acima de tudo precisamos de repouso para enfrentar aquelas intermináveis horas dentro do avião, sempre mal dormidas.

Na nossa chegada recebemos a recomendação de um local especializados em pasta típica da região e para lá nos dirigimos.

O ônibus nos deixou certa de trezentos (300) metros de distância do nosso destino e tão logo começamos a caminhar nos deparamos com uma igreja ortodoxa: A Igreja Ortodoxa de São Basílio o Grande.


Como era cedo para o almoço entramos para conhecê-la. Uma grata surpresa. 

A Igreja Ortodoxa de São Basílio de Bolonha, pertencente à jurisdição canônica do Patriarcado de Moscou, é a mais antiga Igreja Ortodoxa da Emilia Romagna, fundada em 1973 e está localizada na antiga igreja de Sant'Anna dos Padres Cartuxos. 


A igreja de Sant'Anna foi fundada em 1435 pelo cardeal Niccolò Albergati, arcebispo de Bolonha e membro da ordem dos cartuxos para abrigar uma relíquia de Santa Ana que ele recebeu como presente do rei da Inglaterra. Em 1715 a igreja foi completamente restaurada e pintada com afrescos barrocos pelo famoso pintor Gioacchino Pizzoli. 


Nacionalizado por Napoleão no início do século XIX, sofreu um grave estado de negligência ao longo dos anos. Em 1973, foi concedido o direito de uso pelo Município de Bolonha para os cristãos ortodoxos e hoje podemos dizer que é uma pequena jóia escondida na bela Bolonha que combina elementos da tradição Ortodoxa Oriental com os da tradição barroca ocidental em um equilíbrio que surpreende o visitante.


Recompensados pelo "achado" fomos em busca do restaurante. Só que não era um restaurante. É uma   casa de massas. Do balcão de atendimento se vê as bancadas onde são feitas as especiarias da casa. A ideia do negócio é compre e leve. A casa mantém parceria com um bar do outro lado da rua onde é possível sentar para comer o que se comprou. Foi o que fizemos. O melhor de tudo foi o vinho que consumimos na hora da refeição.

Estando próximos do Mercato delle Erbe, aproveitamos para comprar frutas e verduras. O rapaz da banca onde estivemos perguntou a nossa origem e quando dissemos "Brasil", uma senhora que estava ao nosso lado comentou que conhecia Curitiba e Florianópolis e que visitou uma amiga em Porto União. Seguiu-se uma breve mas animada conversa, todos eles enaltecendo as belezas naturais do nosso país. Que bom. Compras feitas,  voltamos para casa.

Mas o dia não terminou. Mal havíamos jantado, eis que recebemos a visita (rápida) da Sra. Morena, proprietária do apartamento. Toda gentileza, como sempre, nos brindou com uma torta di riso, diga-se, deliciosa.

 

Ela nos explicou a receita e afirmou que aquela era a autêntica torta de arroz - verdadeiramente bolonhesa. Ganhamos o dia.