terça-feira, 18 de setembro de 2018

26º DIA - MODENA

18/09/2018 - Dedicamos o dia de hoje para conhecer Modena e um pouco do seu patrimônio histórico-cultural. Digo um pouco pois deixamos de visitar muitos outros locais por causas diversas. O primeiro contato com a cidade foi positivo.




Ao chegarmos no centro histórico tratamos de conhecer desde logo a catedral. Mas como estava sendo celebrada uma missa naquele momento e em respeito aos fiéis decidimos voltar no horário vespertino. 


Mas desde já foi possível constatar que toda a beleza interior do edifício estava encoberta por telas de proteção por força de uma ampla restauração.

Buscando otimizar o nosso tempo, eis que muitos locais fecham para o almoço e só reabrem por volta
das 15,00hs, fomos visitar Os Museus da Catedral, e que na verdade completam a visita à Catedral. Logicamente que a visita compreende passear pela Piazza Grande.



Os museus são divididos em duas coleções que consistem em fragmentos esculturais pertencentes ao Duomo e aos edifícios que o precedem, e de obras e móveis que testemunham a vitalidade da Igreja Modenesa ao longo dos séculos.

O núcleo original do Museu Lapidário é composto pelas descobertas encontradas durante a restauração da catedral, realizadas entre o final do século XIX e início do século XX. A coleção inclui esculturas e relevos do período romano, utilizados principalmente como material de reutilização para a construção do Duomo, fragmentos relacionados com as antigas catedrais medievais anteriores, desde o período românico, inscrições antigas, medievais e modernas.



O Museo del Duomo exibe um valioso aparato artístico-litúrgico que data do românico ao século XIX, incluindo móveis, esculturas, relicários antigos, têxteis, pinturas e códigos, com os quais a comunidade de Modena enriqueceu o Clari Geminiani domus ao longo dos séculos.







Uma sala é dedicada ao patrimônio do Arquivo Capitular, que recolhe a mais antiga documentação escrita sobre a história do Duomo. 


Uma menção especial vai para as duas grandes tapeçarias flamengas com histórias do Gênesis, parte de um ciclo excepcional composto de vinte peças feitas no século XVI e usado, até os anos sessenta do século XX, para embelezar a catedral.



Apenas um comentário final: o museu é pequeno mas a beleza das peças expostas é indescritível. Logo em seguida foi a vez da TORRE CÍVICA ou GHIRLANDINA, que é o símbolo de Modena. 


Ao lado da abside da Catedral, a torre de Ghirlandina,  é projetada para cima com 89,32 metros, ágil e delgada, em proporções harmoniosas. O carinho com que o povo de Modena a batizou se origina das balaustradas de mármore que coroam a torre, "tão graciosas quanto as guirlandas". Construída como uma torre sineira do Duomo, a Ghirlandina cobriu uma importante função cívica desde suas origens: o som de seus sinos marcou os tempos da vida da cidade. Para chegar ao topo da torre precisamos de muito esforço como se vê pelas fotos das escadarias.




Mas lá chegando a recompensa é imediata. Do alto da torre são oferecidas imagens amplas para os quatro lados da cidade.





Não totalmente refeitos do esforço sobe-desce, fomos conhecer o PALAZZO COMUNALE, que é o edifício municipal de Modena.


Ele fecha com o seu pórtico nos lados leste e norte da Piazza Grande e ainda é a sede do Município de Modena. Não é realmente um único edifício, mas o resultado da reestruturação das construções numerosas que começou em 1046.



No interior, é digno de nota o friso da Sala del Fuoco, uma série de pinturas executadas por Nicolò dell'Abate em 1546, retratando os episódios do cerco de Modena em 44 aC.







Caminhamos alguns passos e retornamos à Catetral, também parcialmente encoberta por andaimes e telas protetoras tendo em vista as obras de restauração. É um prédio magnifico considerando que o início da sua construção remonta ao ano de 1099.



Como dito anteriormente as obras de restauração não permitem uma visão global do interior da igreja, pelo que, valho-me das imagens do Google para apresentar uma pequena ideia da grandiosidade da mesma.
Imagem relacionada

As fotos adiante foram obtidas dos locais não protegidos por andaimes ou telas.



Em toda a largura do presbitério, há a cripta, com três naves, apoiada por colunas com capiteis de arte lombardas do final do século XI. Na abside central é o Sepulcro de San Geminiano.




Registro ao final que era justamente na cripta que estava sendo celebrada a santa missa quando entramos na igreja pela primeira vez, logo que chegamos à Modena.

Depois de toda a maratona, dedicamos um tempinho para um santo almoço.


A parte da tarde dedicamos para conhecer o PALAZZO DEI MUSEI. 




Este é certamente o museu mais importante da cidade: nas suas salas são preservadas obras de valor inestimável e bibliotecas, arquivos e galerias ininterruptas.

O palácio apresenta belas formas no estilo do século XVIII. O destino original do complexo era o de um hotel para os pobres. Em 1788, no entanto, Ercole III decidiu transformá-lo em um hotel das artes, um lugar onde os jovens pudessem ser educados em várias atividades de artesanato. Desde 1881 é uma herança municipal.



O edifício abriga vários museus, além do arquivo histórico municipal e da Biblioteca Este. Dos museus somente estava aberto à visitação a Galeria Estense.

A Galleria Estense de Modena, herdeira da história secular da colecção de arte ligada à família Este, é uma das Galerias Nacionais mais importantes e antigas da Itália. Exibe 609 obras sendo 327 pinturas, 40 esculturas e 242 objetos valiosos.











As fotos dão uma modesta ideia da rica coleção de obras de arte que fazem parte do acervo da Galeria. As coleções refletem os gostos poliédricos e refinados do Estensi, dirigidos não apenas à pintura e escultura, mas também a antiguidades e artes decorativas, gráficos e numismática. Para o generoso patronato do duque Francesco I d'Este (1629-1659) devemos as duas grandes obras-primas que a Galeria preserva, seu retrato de Diego Velázquez (1638-1639) e o maravilhoso busto de mármore de Gian Lorenzo Bernini ( 1650-1651).

Finalmente chegou a vez da biblioteca. Ficamos um pouco frustrados pois o ambiente estava sendo preparado para um evento, de sorte que pudemos visitar apenas uma parte dela. Mesmo assim, uma gentil senhora nos acompanhou e nos forneceu amplas explicações. Uma das informações é a de que a biblioteca conta com mais de um milhão de exemplares em seu acervo.



Após a unificação nacional fundiu-se com a Biblioteca Universitária e assim constituiu o que é hoje a Biblioteca Estense Universitária.

Entre os materiais mais preciosos abrigados na Biblioteca estão: a miniatura Monumenta da Este, a Bíblia Borso, a Genealogia do Este Principi, o Missal de Borso, o Breviário de Hércules, a coleção Obizzi do Catajo, a correspondência do Muratori e do Tiraboschi.



A magnífica Bíblia de Borso d'Este representa o auge da pintura em miniatura ferrarense e um dos pontos altos da iluminação de manuscritos do renascentismo italiano. Ela foi encomendada por Borso d'Este (1413-1471), primeiro duque de Ferrara, com a intenção de demonstrar o esplendor da Casa de Este que, na época, concorria com Florença e o Tribunal de Médici pelo status internacional. O manuscrito foi concluído entre 1455 e 1461, mesmo período em que Johann Gutenberg produziu a primeira Bíblia por impressão de tipo móvel. 


A Bíblia é composta por dois volumes de fólio, com mais de 1.000 iluminuras individuais. As folhas são bastante iluminadas, com vinhetas pintadas que retratam cenas da Bíblia, eventos históricos, o brasão Estense e imagens da natureza. A Bíblia permaneceu em Modena até 1859, quando a cidade se tornou parte do novo Reino da Itália. Francesco V d’Austria-Este fugiu para Viena levando muitos bens da família, inclusive a Bíblia. Em 1923, o industrialista Giovanni Treccani degli Alfieri comprou a Bíblia de um livreiro antiquário parisiense. Como um sinal de respeito à República da Itália, ele devolveu a Bíblia para a Biblioteca Estense, em Modena. 


Na segunda metade do século XVIII, uma nova encadernação foi feita. A Bíblia foi cortada de forma grosseira e parte da sua decoração foi perdida nas margens superior e exterior. A encadernação foi novamente substituída em 1961.

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