sábado, 1 de setembro de 2018

8º DIA - VERONA

31/08/2018 - Nossa primeira atividade do dia foi visitar a Igreja de San Fermo. Às margens do rio Adige, pouco fora da porta romana dos Leoni, no lugar em que em 304, segundo a antiga tradição, foram martirizados os santos Termo e Rústico, o povo de Verona construiu, no V século, uma igreja em honra a eles.


Desde 1065 até cerca de 1143 os Beneditinos demoliram até o pavimento a igreja paleocristão e construíram uma igreja românica de dois andares: aquela inferior para conservar as relíquias e aquela superior para as celebrações com o povo.



Há anos continua a obra de restauração do riquíssimo ciclo de afrescos, das numerosas capelas e do extraordinário forro ligno. E foi justamente no desenvolvimento desses trabalhos que recentemente ocorreu uma descoberta das mais notáveis. Foi encontrada a tumba com o corpo de Arnaldo de Torroja, que foi Grão-Mestre da Ordem dos Templários de 1181 até sua morte em 1184, em Verona. Para sabe mais clique aqui.


Os trabalhos de recuperação e restauração da tumba e do local de sua descoberta ainda não estão acessíveis ao público. Contudo, consegui fotografar a tumba no local onde a mesma foi descoberta.

Bem próximo à igreja há ruínas da época romana demonstrando o quão antiga é a presença humana no local e na região.


Estávamos bem próximos da Biblioteca Cívica de Verona e então resolvemos dar uma olhadinha. No andar térreo havia uma mostra bem interessante. A Vinilteca Cívica, os raros vinis de DJ Dean.


Em fevereiro de 2016, o fundo DJ Dean - que consistia principalmente de vinis impressos entre os anos 70 e 90, bem como CDs de música e DVDs e materiais impressos, como cartazes e cartões postais - se tornou parte da herança da Biblioteca. Dionisi nasceu em 28 de março de 1953 em Povegliano Veronese, na província de Verona. Desde cedo mostrou interesse pela música e foi um grande viajante: ele visitou a Espanha, Berlim e passou muito tempo na Inglaterra, em Londres, onde fez pesquisa musical, em comparação com outros fãs e aumentou sua coleção de discos. Os vinis são sua vida: desde que ele usou sua primeira poupança para comprar, secretamente de seus pais, os últimos lançamentos, até a idade adulta, com uma coleção que tem mais de três mil registros. O desejo de compartilhar seu grande amor pela música levou-o a se tornar um DJ, cada vez mais estabelecido e requisitado. Em meados dos anos noventa, ele abriu uma loja de música em Villafranca (Verona), Dean's Records. Na última parte de sua vida, Dean passou mais e mais tempo em sua cidade natal, onde morreu em 6 de maio de 2015. Adelino deixa um grande legado: seus registros. As irmãs e sobrinhos decidiram cumprir seu maior desejo: Música e Arte devem circular entre as pessoas. Suas palavras tornaram-se realidade na Biblioteca Cívica de Verona. (Massimiliano Gobbi)

Dos inúmeros vinis expostos, fiz apenas a foto de um deles, foto esta que fala por si mesma. 


Depois do almoço fomos conhecer o Complexo da Catedral de Verona. Mais que um único edifício dedicado à Santa Maria Assunta, é um complexo arquitetônico articulado do qual fazem parte S. Giovanni in Fonte, S. Elena, o claustro dos canônicos, a Biblioteca Capitular e o Museu Canonical que está frente à praça do Bispado.


A primeira basílica paleocristão foi construída na área ocupada atualmente pela chiesa de S. Elena. Consagrada por San Zeno, bispo de Verona entre 362 e 380, ficou logo muito pequena e algumas décadas mais tarde, foi edificada uma basílica mais ampla.



Amplos restos de pavimento a mosaico são visíveis embaixo da igreja de S. Elena.


Encerrada mais esta visita, nosso objetivo seguinte era conhecer a Biblioteca Capitolare di Verona. A Biblioteca do Capítulo de Verona é uma das bibliotecas mais antigas do mundo e uma das mais importantes do gênero na Europa. Dentro de seus muros, muitos estudiosos passaram meses de treinamento, realizando importantes pesquisas. A biblioteca está localizada na área medieval de Verona, perto da ponte Pietra e da Catedral de Verona. 

Imagem: Wikipédia
O nascimento da biblioteca ocorre simultaneamente com a difusão do cristianismo em Verona, por volta do ano 380, e o nascimento de estruturas religiosas, que tinham a necessidade de um lugar para arquivar os vários escritos. A estrutura, portanto, foi usada para escrever e arquivar os manuscritos usados ​​pela igreja em Verona. O Capitular, de fato, possui um verdadeiro tesouro de manuscritos, alguns escritos na própria cidade, mas a maioria vem de oficinas por toda a Itália, também chegou graças às numerosas doações; o alto prestígio desta biblioteca é documentado pela presença em várias ocasiões de Francesco Petrarca que muitas vezes veio aqui para estudar.

O código mais antigo é o chamado "Código Ursicin". Ursicino, depois de ter copiado o código, também o datou: "1 de agosto de 517".


Os manuscritos foram escritos no scriptorium, um lugar onde os livros foram transcritos. Esta oficina recebeu um novo impulso para o trabalho de transcrição entre os séculos VIII e IX, quando a produção caligráfica foi reconhecida como uma atividade de grande valor durante o período carolíngio. O homem a quem o mérito de promover a transcrição laboriosa deve ser creditado é o Arquidiácono Pacífico (776-844). A herança literária da Biblioteca sempre foi confiada ao Capítulo da Catedral, de onde vem o nome "Biblioteca Capitolare". 

A biblioteca continuou a preservar o material mesmo após a invenção e a disseminação da impressão. Com a praga que atingiu Verona em 1630, muitos códigos foram perdidos nos quartos e nos esconderijos da biblioteca, e só graças ao trabalho de Scipione Maffei, um século depois, foi possível encontrar quase todos os manuscritos. O eco da descoberta se espalhou por toda a Europa, e estudiosos de várias nações vieram estudar e criar edições dos vários códigos. (Wikipédia)

Toda nossa expectativa diante de tão importantes informações históricas restou frustrada ao nos depararmos com o aviso abaixo, fixado na porta da biblioteca:

"O Arquivo histórico da Curia de Verona, estará fechado de 30 de julho à 31 dei agosto de 2018.  Reabrirá no dia 3º de setembro de de 2018 às 10 horas"
 Paciência. Eis aí um motivo para retornar. 

Voltamos ao B&B para um descanso eis que à noite tínhamos programado ir à Arena para o espetáculo da noite: a ópera Carmen. Todas as previsões dos serviços de meteorologia indicavam chuvas justo para o horário do espetáculo. A chuva começou fraca no final da tarde. 


Mesmo assim nos dirigimos para as imediações da Arena e as informações eram todas numa única direção: por pouca chuva que ocorra, o espetáculo será cancelado. Também nos disseram que deveríamos ocupar nossos lugares pois ninguém poderia antecipar a decisão dos organizadores. A devolução do valor dos bilhetes tinha como condição o ingresso nas dependências da Arena. Como tínhamos bastante tempo aproveitamos para jantar. Quando nos dirigimos aos portões de acesso a chuva engrossou. Identificamos nossos lugares e esperamos. 


O início do espetáculo estava previsto para as 20:45hs. Nada de músicos, nada de movimento no palco. Enfim, tudo indicava o cancelamento. Aos poucos o tempo foi melhorando, os guarda-chuvas se fechando e veio o anúncio: haveria espetáculo. Começou com mais de trinta (30) minutos de atraso e foi até o final. Uma beleza.

Sobre a ópera, o diretor Walter Neiva assim se expressa:

Sevilha na Espanha do séc XIX. Carmen é uma cigana que trabalha numa fábrica de cigarros. Sua beleza quente seduz os homens especialmente o inocente soldado Don José que se torna completamente obcecado.


Por esse amor, ele perde a farda e torna-se o amante até o ponto de fazer parte de um bando de contrabandistas, amigos da bela cigana. Pela liberdade de amar, Carmen acaba deixando o pobre amante para ficar com um famoso toureador. O soldado enfeitiçado então é tomado por um acesso de ira e ciúme. (http://teatroguairacarmen.blogspot.com/2009/07/resumo-da-opera.html)


E como o início foi retardado, o final, por óbvio, restou protelado. Quase uma hora da madrugada quando saímos da Arena e nos recolhemos.


 Duas horas depois veio o temporal mas aí já não importava mais a chuva. Estávamos satisfeitos com o que vimos. Foi uma boa pedida.

Um comentário:

  1. Estava apreensivo para saber se houve o show! Ainda bem que deu certo e foi possível assistir.

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